Publicado em 14 de abril de 2026.
A infertilidade acomete 30% a 50% das mulheres com endometriose. Por outro lado, entre as mulheres que buscam ajuda para engravidar, a doença está presente em até 50% dos casos.
Entenda no post porque isso acontece e o que fazer se você tem o diagnóstico de endometriose e deseja engravidar.
Como a endometriose dificulta a gestação?
A endometriose gera um estado de inflamação crônica na pelve. Esse ambiente inflamatório pode interferir em diferentes etapas da concepção, prejudicando desde o encontro dos gametas até a implantação do embrião no útero.
1. Distorção das tubas uterinas
As tubas uterinas (ou trompas) são estruturas muito delicadas e móveis, responsáveis por captar o óvulo que o ovário libera e transportar o embrião já formado em direção ao útero.
- A endometriose pode gerar aderências que distorcem a anatomia das tubas uterinas. Mesmo que as tubas não estejam totalmente obstruídas, essa distorção pode atrasar o transporte do óvulo ou do embrião, dificultando ou impedindo a gravidez natural.
2. Diminuição da qualidade dos óvulos
A presença de focos de endometriose e endometriomas (focos de endometriose nos ovários) altera o microambiente onde os óvulos se desenvolvem.
- A endometriose pode alterar o equilíbrio hormonal e aumentar a presença de marcadores inflamatórios no ambiente onde os óvulos se desenvolvem. Isso pode comprometer a função ovariana. O resultado é, muitas vezes, uma diminuição na qualidade dos óvulos, o que reflete em taxas menores de fertilização e embriões com menor potencial de implantação.
3. Alterações na receptividade do endométrio
O endométrio é o tecido que reveste o útero internamente e se prepara todos os meses para receber um embrião. Para que a implantação ocorra, ele precisa responder aos estímulos hormonais do estradiol e da progesterona.
- Em mulheres com endometriose, o endométrio pode apresentar resistência à ação dos hormônios, especialmente à progesterona. Isso cria um ambiente menos receptivo para o embrião, dificultando a fase final do processo: a implantação.
Caminhos para a gestação
É fundamental saber que ter endometriose não significa ser infértil. Muitas mulheres com endometriose engravidam espontaneamente. O importante é saber quando e como intervir.
A conduta expectante: quando tentar naturalmente
Em muitos casos, especialmente em mulheres jovens e com endometriose superficial, a orientação inicial pode ser a tentativa natural por um período determinado. Se a gestação não ocorrer nesse intervalo, avançamos para uma investigação específica de infertilidade, na qual avaliamos tanto a mulher quanto o seu parceiro.
E se houver alguma dificuldade para engravidar?
Para outras mulheres, será necessário algum tratamento para ajudar a engravidar. Na definição do tratamento, levamos em consideração diversos fatores como idade, tempo de tentativas de engravidar, extensão da doença, outros sintomas associados à endometriose, a qualidade do sêmen do parceiro, entre outras. Por isso, essa definição é altamente personalizada para cada casal.
Em alguns casos, a cirurgia com o objetivo de remover os focos de endometriose e desfazer as aderências pode ser a primeira opção. Em outros, podemos considerar a reprodução assistida através da fertilização in vitro (FIV).
Planejamento e acolhimento
Se você tem endometriose e planeja engravidar, o primeiro passo é uma avaliação especializada com foco em reprodução. Na consulta, avaliaremos todo o seu histórico para definir o melhor caminho para a gestação.
Você tem o diagnóstico de endometriose e deseja desenhar um planejamento para a sua futura gestação?
Agende uma consulta especializada e vamos juntas definir um planejamento que respeite a sua individualidade.