DIU: Guia Completo sobre Tipos, Colocação, Eficácia e Efeitos Colaterais

Publicado em junho de 2022 — Atualizado em julho de 2025

 

Descubra tudo sobre os DIUs (Dispositivos Intrauterinos): tipos de DIU hormonal e não hormonal, como é a colocação, eficácia, quem pode usar e perguntas frequentes.

Os dispositivos intrauterinos (DIUs), mais conhecidos pela sigla “DIU”, são métodos anticoncepcionais reversíveis de longa duração, altamente eficazes na prevenção da gravidez. São dispositivos pequenos, que são inseridos dentro do útero, oferecendo uma opção contraceptiva prática e segura.

 

O que você irá encontrar neste guia sobre DIU:


Quais são os tipos de DIU?

Os DIUs podem ser divididos em não-hormonais e hormonais. Os DIUs não-hormonais não contêm nenhum hormônio na sua composição, enquanto os DIUs hormonais liberam um hormônio chamado levonorgestrel dentro do útero.

 

DIU Não-Hormonal

Os DIUs não-hormonais podem ser de dois tipos: o DIU de cobre e o DIU de cobre com prata.

Os DIUs não-hormonais liberam pequenas quantidades de cobre dentro do útero de forma contínua. O cobre afeta a movimentação dos espermatozoides, diminuindo a chance de encontro com o óvulo. Assim, os DIUs não-hormonais impedem a fecundação, mas não interferem com a ovulação.

São eficazes?

São métodos altamente eficazes, com taxa de sucesso superior a 99% na prevenção da gravidez.

 

Quais são os modelos de DIUs não-hormonais disponíveis?

Existem diversos modelos disponíveis no Brasil, com variações de formato e tamanho. A depender do modelo, os DIUs não-hormonais podem ser usados por 3 a 10 anos.

Tem algum efeito colateral?

Sim. Os principais efeitos colaterais dos DIUs não-hormonais são o aumento da intensidade da cólica menstrual e do fluxo menstrual. Estes efeitos ocorrem principalmente nos primeiros três a seis meses de uso e tendem a melhorar com o tempo na maioria dos casos.

 

DIU de Levonorgestrel (DIU Hormonal)

Os DIUs hormonais são aqueles que contêm levonorgestrel em sua composição. Os dispositivos liberam pequenas quantidades de levonorgestrel de forma contínua dentro do útero.

O levonorgestrel é um hormônio que afina o endométrio (camada interna do útero que descama durante a menstruação) e deixa o muco cervical mais espesso, dificultando a subida dos espermatozoides até o útero. O levonorgestrel também afeta a movimentação dos espermatozoides. Em uma minoria das mulheres, o DIU hormonal pode inibir a ovulação.

São eficazes?

Sim, são métodos altamente eficazes, com taxa de falha de até 0,2% ao ano.

 

Quais são os tipos de DIUs hormonais disponíveis?

  • Mirena® (52mg de levonorgestrel): duração de até 8 anos no Brasil.
  • Kyleena® (19,5mg de levonorgestrel): duração de até 5 anos. Por ser menor que o Mirena, sua inserção e uso podem ser mais confortáveis.

Tem algum efeito colateral?

Sim. O principal efeito colateral associado aos DIUs hormonais são os sangramentos irregulares, conhecidos como “escapes” ou “spottings”, que ocorrem principalmente nos primeiros 6 meses de uso. Também pode ocorrer sangramento prolongado ou até mesmo a ausência de sangramento menstrual (amenorreia). Cólicas e acne também são efeitos colaterais comuns.

 

Quem pode usar DIU?

O DIU é um método contraceptivo que pode ser utilizado em todas as fases da vida reprodutiva da mulher. Pode ser utilizado na adolescência, por mulheres que nunca engravidaram ou que nunca tiveram filhos.

Mulheres que já deram à luz, seja por parto vaginal ou cesariana, também podem usar DIU. Inclusive, o DIU pode ser inserido logo após o parto.

O DIU pode ser usado como método contraceptivo por mulheres na perimenopausa também.

Quem não pode usar DIU?

Algumas contraindicações mais comuns para o uso de DIU são:

  • Infecções não tratadas do trato genital, como infecções uterinas ou vaginais.
  • Alterações graves de Papanicolau.
  • Suspeita ou confirmação de câncer de colo do útero.
  • Tumores que dependem dos hormônios progestagênios para se desenvolverem, como alguns tipos de câncer de mama (somente para os DIUs hormonais).
  • Sangramento uterino anormal ainda sem diagnóstico.
  • Alterações uterinas que distorcem a cavidade endometrial.

 

O DIU além da contracepção

Além da contracepção, o DIU Mirena® pode ser utilizado também para o tratamento de alguns problemas ginecológicos como:

  • Fluxo menstrual excessivo
  • Adenomiose
  • Endometriose

Além dessas indicações, o DIU Mirena® pode ser usado por mulheres que fazem uso de terapia de reposição hormonal com estrogênio, para prevenção de hiperplasia endometrial.

 

Como é feita a colocação do DIU?

Se você está considerando usar DIU, é super importante saber como esse procedimento é feito. Isso fará com que você se sinta mais preparada e perceba que é menos assustador do que você imagina.

 

Primeiros passos

Antes de colocar o DIU, fazemos uma consulta para entender se ele é realmente a melhor opção contraceptiva para o seu caso. Além disso, conversamos sobre seus ciclos menstruais, fluxo menstrual, preferências e outros aspectos para definir qual o melhor tipo de DIU para você.

Na consulta, fazemos o exame ginecológico para avaliação do colo do útero e coleta de Papanicolau, HPV e infecções genitais, se necessário. Pode ser feito também um exame de toque para identificarmos a posição do seu útero.

São solicitados alguns exames como ultrassonografia transvaginal e exames de sangue. Se tudo está ok, agendamos a inserção do DIU.

 

O Dia da Inserção

A inserção do DIU é um procedimento ambulatorial. Isso quer dizer que ele pode ser feito no consultório. Mas, em alguns casos, podemos fazer no centro cirúrgico, sob sedação (um tipo de anestesia que faz você dormir profundamente, mas mantém a sua respiração espontânea).

Em geral, indicamos a colocação de DIU no centro cirúrgico em casos de doenças com risco aumentado para colocação no consultório, como algumas doenças cardíacas, em casos de estenose (estreitamento) do colo do útero ou se você não tolerar dor e precisar de anestesia.

Tanto no consultório quanto no centro cirúrgico, a colocação do DIU pode ser feita em qualquer período do ciclo menstrual, desde que consigamos descartar gravidez através de exame de sangue.

 

Inserção no consultório

No consultório, não é necessário jejum nem preparo prévio. Apenas evitar refeições muito pesadas logo antes do procedimento. Não é necessário acompanhante. Podemos prescrever uma medicação para dor para ser tomada de 30 a 60 minutos antes da inserção do DIU.

O procedimento é feito na posição ginecológica. Será feito o exame de toque vaginal para sabermos a posição do seu útero. Depois, é introduzido o espéculo (o mesmo aparelhinho do Papanicolau) e é feita uma limpeza do colo do útero com um líquido antisséptico e gaze. Após a limpeza, pode ser feita uma anestesia local. Depois disso, é feita a inserção do DIU.

Todo o procedimento dura no máximo 30 minutos. A maioria das mulheres sente uma dor semelhante a uma cólica menstrual forte durante o procedimento. Como a percepção de dor é muito individual, a intensidade da dor varia muito de mulher para mulher, sendo rara uma dor intensa o suficiente para impedir a inserção do DIU.

 

Inserção no centro cirúrgico

Se a colocação do DIU for no centro cirúrgico, com sedação, pedimos que chegue ao hospital com pelo menos oito horas de jejum. O procedimento é feito com anestesia, de forma que você não sentirá dor. A inserção segue os mesmos passos da colocação em consultório, com necessidade de dilatação do colo em alguns casos. É recomendado levar um acompanhante se a colocação do DIU for feita sob sedação.

 

Após a inserção

Após a colocação do DIU no consultório, você é liberada imediatamente, se estiver bem. Se for feita no hospital, com sedação, a alta hospitalar geralmente ocorre de três a quatro horas após o procedimento.

No dia da inserção, é comum ter um sangramento discreto por via vaginal (um protetor de calcinha é indicado). É bom evitar esforço físico excessivo no dia. Após 24 horas, você pode seguir com seu dia a dia normal e está liberada inclusive para ter relação sexual.

Normalmente marcamos um retorno em um mês com um ultrassom para checar o posicionamento do DIU. Depois, esse controle pode ser anual.

 

Perguntas frequentes sobre o DIU

  • O DIU interfere na capacidade de engravidar após removido?

Não, o DIU só impede a gravidez enquanto está sendo utilizado. Após removido, o DIU não tem qualquer interferência na fertilidade da mulher.

  • Quanto custa colocar DIU?

O custo para colocação do DIU pode variar bastante a depender do profissional, do DIU e se a colocação é realizada no consultório ou no centro cirúrgico. O valor total pode variar de R$ 2000 a R$ 5000,00.

  • Se eu quiser retirar o DIU antes da validade, é possível?

Sim, se você quiser engravidar ou se quiser retirar o DIU por qualquer outra razão, a retirada pode ser feita a qualquer momento. É um procedimento rápido e muito simples de ser feito no consultório.

  • O DIU interfere na relação sexual?

Normalmente o fio do DIU não é sentido durante a relação sexual. Se isso acontecer, procure avaliação médica para saber se o DIU está corretamente posicionado.

  • Depois de quanto tempo após colocar o DIU posso ter relação sexual?

Você pode ter relação sexual 24 horas após a inserção do DIU. Recomenda-se uso de preservativo pelo menos até o primeiro retorno, quando é feita a confirmação do posicionamento correto do DIU.

  • Posso usar absorvente interno, disco ou coletor menstrual usando DIU?

Sim, pode. Mas é preciso ter cuidado para não puxar os fios do DIU, que pode levar a deslocamento ou remoção acidental do dispositivo.

  • Quais são os riscos da colocação do DIU?

As complicações da inserção do DIU são raras, sendo as principais:

  • Perfuração do útero
  • Infecção pélvica
  • Sangramento excessivo

Durante a colocação do DIU sem anestesia, algumas mulheres podem ter tontura ou sensação de desmaio (reflexo vaso-vagal). Na maioria das vezes, um repouso deitada já alivia os sintomas.

  • Quais são as possíveis complicações do uso do DIU?

As complicações mais comuns são as alterações de fluxo menstrual, que pode se tornar excessivo ou prolongado a depender do tipo de DIU. Podem ocorrer sangramentos entre as menstruações. Na maioria das vezes, há melhora após um período de 3 a 6 meses após a inserção.

Nos casos dos DIUs hormonais, pode ocorrer diminuição do fluxo menstrual, menstruação irregular ou até mesmo ausência de menstruação. A presença dos DIUs também pode provocar cólicas.

Em alguns casos, pode ocorrer deslocamento ou até mesmo expulsão do DIU, devido a contrações da musculatura uterina.

Os fios do DIU podem adentrar o canal endocervical, tornando a retirada em consultório mais difícil. Nesses casos, podemos utilizar uma pinça específica para a remoção e, em caso de insucesso, recorrer a um procedimento chamado histeroscopia para a remoção.

Complicações raras do uso do DIU:

  • Perfuração do útero
  • Gravidez ectópica

 

Quer saber mais?

Você tem interesse em usar DIU, tem dúvidas e quer saber se este método é indicado para você? Entre em contato conosco clicando no link abaixo para agendar uma consulta. Será um prazer atendê-la!

Dra. Carolina Kowes
Ginecologista

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