Publicado em 15 de junho de 2026.
A cólica menstrual afeta a maior parte das mulheres em idade reprodutiva e é um dos principais motivos que levam as mulheres ao consultório do ginecologista.
Cerca de 70% das mulheres têm ou já tiveram cólica menstrual, na maior parte das vezes de leve a moderada intensidade. Já para cerca de 15% das mulheres, a cólica menstrual pode ser bastante intensa, levando a uma série de adaptações e restrições das suas atividades do dia a dia durante o período menstrual, com redução significativa da qualidade de vida.
Prossiga com a leitura para entender porque a cólica menstrual acontece e o que deve ser avaliado caso a cólica seja intensa e/ou persistente.
Por que sentimos cólica menstrual?
A cólica menstrual fisiológica (dismenorreia primária) surge devido à liberação de prostaglandinas, que são substâncias que provocam a contração do músculo uterino para ajudar na saída do fluxo menstrual. Quando essa produção é exagerada, a contração do útero se torna excessiva e há diminuição do fluxo sanguíneo uterino, gerando dor.
A cólica fisiológica costuma durar de 8 a 72 horas e ter intensidade de leve a moderada. Quando a cólica é intensa, ocorre fora do período menstrual ou vem acompanhada de outros sintomas, é possível que haja alguma doença pélvica envolvida.
Como saber se a cólica está acima do esperado?
Abaixo, explico as principais diferenças entre a cólica associada a uma resposta natural do corpo da cólica que levanta um alerta para doenças pélvicas.
Tabela dismenorreia primária x secundária

As principais causas de cólica menstrual forte
Endometriose
A endometriose é caracterizada pelo crescimento de um tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, acometendo órgãos como os ovários. É a principal causa de cólica intensa em adolescentes e mulheres jovens e gera um processo inflamatório crônico que pode causar dor durante a menstruação e ao urinar ou evacuar. Em 30-50% dos casos está associada à infertilidade.
Adenomiose
Na adenomiose, o tecido endometrial infiltra e cresce dentro das paredes musculares do próprio útero. Esse processo causa um aumento no volume do órgão, provocando fluxo menstrual intenso com presença de coágulos e aumento da sensibilidade na região pélvica.
Miomas uterinos
Os miomas são tumores benignos formados por tecido muscular que se desenvolvem na parede uterina. Dependendo de sua localização, eles podem causar cólicas, sensação de peso no abdome inferior e aumento de fluxo menstrual.
Doença inflamatória pélvica (DIP)
A DIP é uma infecção bacteriana que ascende pelo trato genital, atingindo o útero, as tubas uterinas e os ovários. Além de cólicas agudas e intensas fora do período menstrual, ela se manifesta através de febre, corrimento vaginal com odor forte e sangramento após as relações sexuais.
Aderências pélvicas
Trata-se de cordões de tecido cicatricial que fazem com que os órgãos pélvicos grudem uns nos outros. Costumam surgir após cirurgias prévias, episódios de infecções graves ou como consequência direta da endometriose, gerando dores crônicas e aumentando o risco para infertilidade.
Diagnóstico: como descobrir a causa da dor?
A definição exata da causa exige uma consulta ginecológica atenciosa. O histórico clínico, mapeando quando a dor começou, onde ela se localiza e como tem evoluído permite definirmos as principais suspeitas. O exame do abdome da pelve também podem revelar alguns sinais sugestivos de certas doenças.
Frequentemente, após a consulta e exame físico, é necessário solicitar algum exame complementar para ajudar no diagnóstico. Veja os principais:
- Pesquisa de ISTs – infecções como as provocadas por clamídia ou gonococo podem provocar cólicas.
- Ultrassonografia transvaginal – permite a identificação de miomas ou adenomiose.
- Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal para pesquisa de endometriose – exame realizado por médico especializado, para mapeamento de endometriose profunda.
- Ressonância magnética da pelve – solicitada em casos complexos para avaliar detalhadamente adenomiose, endometriose, miomas ou cistos ovarianos.
- Histeroscopia – exame que avalia o interior da cavidade uterina por via endoscópica.
Como tratar a cólica menstrual
Para a cólica fisiológica, de leve a moderada intensidade, medidas locais como bolsas térmicas mornas no baixo ventre promovem a vasodilatação e relaxam a musculatura pélvica. O uso de analgésicos ou anti-inflamatórios deve ser sempre orientado pelo seu médico e também podem ajudar.
A prática regular de atividades físicas atua de forma sistêmica na redução da intensidade da cólica:
- Exercícios de moderada a alta intensidade (corrida, musculação): Aumentam a liberação de citocinas anti-inflamatórias na corrente sanguínea e podem ajudar reduzir o fluxo menstrual total ao longo dos meses.
- Exercícios de baixa intensidade (alongamento, yoga, pilates): Atuam diretamente na redução dos níveis de cortisol (o hormônio do estresse). A queda do cortisol inibe de forma secundária a síntese excessiva de prostaglandinas.
Recomendação prática: Para obter os benefícios protetores, o exercício deve durar de 45 a 60 minutos, realizado pelo menos 3 vezes por semana, de forma consistente durante todo o mês, e não apenas no período menstrual.
O próximo passo é cuidar da sua história com atenção
Normalizar dores incapacitantes que interferem no seu trabalho, nos seus treinos ou no seu bem-estar é um erro comum que atrasa diagnósticos importantes. Cólicas intensas necessitam de uma investigação cuidadosa para que um tratamento específico preserve a sua saúde pélvica, o seu futuro reprodutivo e sua qualidade de vida.
Você sente que a sua cólica ultrapassou os limites do que é considerado normal?
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